O Presidente da República falou ontem ao país, numa altura de grave crise económica, para anunciar que não vetaria politicamente a lei do casamento homossexual. Eu acho incompreensível. Politicamente falando. Ninguém duvida que se Cavaco vetasse esta lei, ela seria aprovada pelo Parlamento. Isso não está em causa. A lei iria entrar em vigor de qualquer das maneiras.
No momento da celebração casamento heterossexual, o homem é demandado primeiro. E num casamento homossexual?
Dirigente socialista acusa Cavaco de contribuir para a instabilidade política.
Espera lá, o PR não pode expressar a sua opinião sobre assuntos políticos? Eu acho que tem toda a razão, e acho que se portou muito bem! Aliás, em consonância com este post.
Passo a explicar, a Lei Portuguesa diz-nos, no artigo 1601º b) do Código Civil que "a demência notória, mesmo durante intervalos lúcidos, e a interdição ou inabilitação por anomalia psíquica, são impedimentos dirimentes absolutos, obstando ao casamento da pessoa a quem respeitam" quer isto dizer que o casamento celebrado entre pessoas desta “condição” é anulável nos termos definidos no mesmo código.
Diz-nos ainda alguma doutrina:" Pretende-se evitar que as taras do demente se transmitam para os filhos e defender sob este aspecto a própria sociedade (razões de ordem eugénica); por outro lado (razão de ordem social), quer a lei evitar que se constituam famílias que não sejam, no corpo social, células sãs e úteis, como decerto não o seriam as famílias em que algum dos cônjuges fosse portador de anomalia psíquica".
Feito o enquadramento geral pode dizer-se que aqui está em causa o princípio da igualdade, consagrado constitucionalmente. Mas esperem 2007 não foi o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos? Sim, foi… Não tinha como objectivo balizar as leis desiguais? Sim, tinha… Esqueceram-se desta.
Agora vejam-se as seguintes situações:
1 – Alemanha 1939 – 1945
Regime Nacional-Socialista – Hitler e o seu Staff (chamemos-lhe assim porque é mais chique e dá um ar mais humano às pessoas e menos bárbaras aos actos) tiram os recém-nascidos deficientes às mães e utilizam-nos em experiências médicas, com que objectivo? Aperfeiçoamento da raça (Eugenia), pois seriam células mortas no Reich (razões sociais).
2 – Portugal 2009
Regime democrático, União Europeia – Sucessivos Governos deixam passar estas normas, não levantando qualquer entrave, o Tribunal Constitucional é cego como a Justiça. Como se disse em cima com que razões? Eugénicas e Sociais. Os defensores da Igualdade e da tutela das minorias ainda não viram esta norma.
Bom, mas podem ser só coincidências ou teorias da conspiração.
E porque também aqui se falou de coerência veja-se a incoerência do ordenamento jurídico português: o legislador diz que o objectivo do casamento não é a procriação (este argumento até tem sido invocado para a defesa do casamento homossexual) no entanto não permite que dois deficientes se casem pois têm maior probabilidade de transmitir as taras aos filhos, mais, permite ainda que se anulem casamentos com fundamento no erro do nubente que se funde em impotência ou na esterilidade. Poupem-me.
O próximo passo é arranjar pareceres de grandes doutores de Direito a sustentar a mudança, outros tantos a pedir referendos, outros a escrever sobre isto e por último um programa de TV dedicado a isto.
Sou contra o casamento homossexual. Não por ser contra as relações homossexuais em si mesmas, mas por causa de efeitos que decorrem do casamento. Sobretudo a adopção.
Depois, há o lado oposto. Aqueles que defendem o casamento homossexual com todas as suas decorrências, inclusivamente a questão da adopção. Respeito, mas refuto.
Finalmente há aquele meio-termo que pesssoalmente acho mais engraçado: aqueles que defendem o casamento homossexual com o argumento da igualdade, mas que não concordam com a adopção por esses casais e esquecem-se da igualdade.
É contra estes segundos que eu me bato, tentando mostrar-lhes as falhas do seu pensamento. E sempre disse: hoje é o casamento, daqui a 3 ou 4 anos querem a adopção.
Hoje, os socialistas franceses vieram dar-me razão. Obrigado!